Quem entra em uma feira que reúne indústria, comércio, serviços e agronegócio costuma ser atraído primeiro pelos grandes estandes e pelos discursos de abertura. Na FICCA Goiás 2026, porém, uma parte importante da história da economia goiana está nos corredores do Pavilhão do Cooperativismo, onde o barro vira peça de artesanato, o fruto do Cerrado vira produto para o mercado e o trabalho de muita gente, reunido em torno de um mesmo propósito, ganha vitrine. É ali que o cooperativismo deixa de ser um conceito e passa a ter rosto, mãos e sotaque.
Existe um tipo de orgulho muito particular em quem apresenta aquilo que produz junto com outras pessoas. Não se trata apenas do produto exposto, mas do caminho percorrido até que ele chegasse ali: as reuniões, as decisões divididas, as dificuldades enfrentadas em grupo e a certeza de que, sozinho, o percurso teria sido bem mais estreito. Para cooperadas e cooperados que participam da feira, estar diante de visitantes de diferentes lugares, inclusive de outros países, é uma forma de ver reconhecido um esforço que quase sempre acontece longe dos holofotes.
Essa dimensão humana ajuda a entender por que a presença das cooperativas na abertura do evento foi tratada como destaque. A feira se propõe a reunir todos os segmentos da economia goiana no mesmo lugar, com o objetivo de potencializar a geração de negócios e oportunidades, e o cooperativismo chegou a esse encontro com uma mensagem clara: ele não pertence a um único setor, mas atravessa praticamente todos. Quem acompanha a economia do estado sabe que essa característica faz diferença, tanto para quem produz quanto para quem consome.
“ele não pertence a um único setor, mas atravessa praticamente todos”
É sobre essa travessia que vale conversar. De um lado, há a fala institucional, as demandas ao poder público e a atuação de um movimento que reúne cooperativas de diferentes ramos. De outro, há histórias como a de Regina Ramos, ceramista, e a de Arlete Dias, presidente de uma cooperativa que reúne mulheres produtoras do campo, que mostram como a lógica coletiva se traduz no cotidiano. Juntos, esses dois olhares ajudam a compreender o que significou a abertura da FICCA Goiás 2026 para o cooperativismo goiano e o que o setor espera da feira e do país.

A abertura da FICCA Goiás 2026 – Feira da Indústria, Comércio, Cooperativismo, Empreendedorismo e Agronegócio de Goiás colocou as cooperativas em evidência por um motivo simples: o evento foi pensado para juntar, em um só espaço, os diferentes segmentos da economia do estado. Nesse cenário, a presença cooperativista no comércio, na indústria, nos serviços e na agropecuária foi um dos pontos mais ressaltados no início da programação. A mensagem reforça a ideia de que o modelo de negócios coletivo é parte estrutural do desenvolvimento goiano, e não um elemento periférico da economia.
Quem traduziu essa visão em palavras foi Luís Alberto Pereira, presidente do Sistema OCB/GO. Ao destacar a influência das cooperativas goianas nos mais diversos ramos da economia, ele resumiu a característica que, em sua avaliação, define o movimento. “O cooperativismo é transversal. Ele atua tanto na área do comércio, quanto nas áreas da indústria e de serviços”, afirmou. Na prática, isso significa que as cooperativas estão, ao mesmo tempo, comprando, vendendo, produzindo e prestando serviços dentro da mesma cadeia econômica que sustenta empresas de todos os portes.
“O cooperativismo é transversal. Ele atua tanto na área do comércio, quanto nas áreas da indústria e de serviços.”
Para evitar que o conceito ficasse abstrato, Luís Alberto recorreu a exemplos do dia a dia das cooperativas. “Uma cooperativa agropecuária, por exemplo, precisa comprar insumos, enquanto outra cooperativa de transporte, de logística, precisa de energia”, explicou. A lógica é a de uma engrenagem: o que uma cooperativa consome é, em muitos casos, o que outro setor produz, e o que ela entrega ao mercado pode servir de ponto de partida para outra atividade econômica. Forma-se, assim, uma rede de dependência mútua que tende a fortalecer a economia local.
A sequência de exemplos continuou. “Já uma cooperativa de saúde precisa de máquinas, equipamentos e remédios. As cooperativas habitacionais, por sua vez, compram serviços de engenharia e materiais de construção. Ou seja, nós estamos integrados a todo esse ecossistema”, completou o presidente do Sistema OCB/GO. A fala ajuda a entender o argumento central da participação na feira. Quando o cooperativismo cresce, cresce também a demanda por fornecedores, prestadores de serviço e fabricantes, o que faz do movimento um agente de circulação de renda e não apenas um nicho.
Se a transversalidade explica o tamanho do cooperativismo, a forma como o Sistema OCB/GO decidiu atuar na feira explica o seu objetivo. Luís Alberto fez questão de afastar a ideia de uma presença meramente simbólica. “Nós não viemos aqui apenas por uma questão de representação institucional, mas para fazer negócios de mão dupla. Viemos fazer parcerias e viemos também trazer conteúdos”, afirmou. A frase sintetiza o método: usar o espaço da FICCA como ambiente de aproximação comercial, de construção de alianças e de troca de informação entre o cooperativismo e os demais segmentos.
“Nós não viemos aqui apenas por uma questão de representação institucional, mas para fazer negócios de mão dupla.”
A expressão “negócios de mão dupla” merece atenção. Ela indica que as cooperativas não chegam à feira apenas como vendedoras de produtos e serviços, mas também como potenciais compradoras, parceiras e interlocutoras de empresas de outros segmentos. Em um evento que reúne indústria, comércio, empreendedorismo e agronegócio, essa disposição amplia as possibilidades de contato. Também permite que o cooperativismo ocupe, na prática, o papel de elo entre diferentes pontas da cadeia econômica, algo coerente com a transversalidade defendida pelo próprio presidente da entidade.
O segundo elemento do método é a presença física no evento. O Sistema OCB/GO levou para a feira cerca de 20 cooperativas expositoras, que apresentam aos visitantes seus produtos e serviços. Elas estão reunidas no Pavilhão do Cooperativismo, espaço que funciona como ponto de encontro para quem deseja conhecer de perto o trabalho das cooperativas goianas. Para o visitante, a concentração facilita o contato com diferentes iniciativas em um único percurso. Para as cooperativas, o pavilhão cria um ambiente de identidade coletiva, no qual cada expositora se beneficia da visibilidade das demais.
A diversidade dos ramos representados dá o tom dessa vitrine. Entre as expositoras estão cooperativas de agricultura familiar, de artesanato, habitacionais, de saúde e de crédito. Cada uma delas segue uma lógica própria de funcionamento, atende a públicos distintos e enfrenta desafios específicos. Todas compartilham, porém, o princípio que define o cooperativismo: pessoas que se organizam de forma coletiva para alcançar objetivos econômicos e sociais que dificilmente alcançariam de maneira isolada. É essa combinação de pluralidade e propósito comum que se vê exposta na feira, a poucos passos de distância entre um estande e outro.
“Entre as expositoras estão cooperativas de agricultura familiar, de artesanato, habitacionais, de saúde e de crédito.”
O terceiro elemento, mencionado de forma explícita por Luís Alberto, é o conteúdo. Ao dizer que o Sistema OCB/GO foi à feira também para trazer conteúdos, o dirigente sugere que a participação não se limita à exposição comercial, mas inclui o compartilhamento de informação sobre o modelo cooperativista, suas vantagens e suas possibilidades de aplicação. A fonte não detalha a programação específica dessa frente, e por isso não cabe especular sobre formatos. O que se pode afirmar é que a intenção declarada é somar à troca de negócios uma troca de conhecimento, o que dá à presença cooperativista na FICCA um caráter mais amplo do que o de um simples ponto de venda.

Para entender por que a presença das cooperativas ganhou tanto peso na abertura, é preciso olhar para o contexto em que o movimento opera. Em uma economia em que empresas de todos os tamanhos enfrentam custos elevados, concorrência e instabilidade, organizar-se de forma coletiva é uma estratégia para ganhar escala, reduzir riscos e ampliar o acesso a mercados. O cooperativismo oferece essa possibilidade a quem, individualmente, teria dificuldade de negociar insumos, vender sua produção ou financiar um projeto. A feira, por sua vez, é o palco em que essa estratégia se torna visível para o público.
Há também uma razão de ordem econômica mais ampla. Como o próprio presidente do Sistema OCB/GO destacou, as cooperativas dependem de insumos, energia, equipamentos, serviços de engenharia e materiais de construção fornecidos por outros setores. Isso significa que decisões que afetam o ambiente de negócios, como a taxa de juros, a legislação trabalhista e o custo do crédito, repercutem ao mesmo tempo em muitas atividades. Quando uma entidade que representa cooperativas de diversos ramos se manifesta sobre essas questões, ela não fala apenas por um segmento, mas por um conjunto de atividades interligadas, o que dá às suas demandas alcance maior do que o de pautas setoriais isoladas.
Foi nesse contexto que Luís Alberto, ao conversar com a imprensa, reconheceu algumas pautas do setor produtivo e pediu medidas do governo federal diante das dificuldades enfrentadas pela classe. “Espero que esse novo governo ouça o setor produtivo, principalmente em relação ao déficit fiscal que eleva a curva de juros”, ressaltou. A declaração coloca em evidência uma preocupação recorrente entre empresários e produtores: o impacto das contas públicas sobre o custo do dinheiro, que afeta desde o financiamento de máquinas e insumos até o capital de giro das empresas.
“Espero que esse novo governo ouça o setor produtivo, principalmente em relação ao déficit fiscal que eleva a curva de juros.”
Do ponto de vista do cidadão, o debate sobre déficit fiscal e juros pode parecer distante, mas ele se conecta ao cotidiano. Juros mais altos tendem a encarecer o crédito para quem quer investir, expandir a produção ou contratar, e isso pode influenciar preços, oferta de empregos e ritmo de crescimento. Por isso, o recado do presidente do Sistema OCB/GO, ainda que dirigido ao poder público federal, dialoga com quem produz, trabalha e consome em Goiás. Cabe ressaltar que a relação entre déficit, juros e atividade econômica é objeto de debate entre economistas, e a fala reproduzida aqui expressa a posição do dirigente.
O segundo pedido diz respeito às relações de trabalho. “Também esperamos que haja uma revisão na lei da escala 6 por 1, para que se possa fazer adaptações em alguns setores específicos”, declarou Luís Alberto. A escala 6 por 1, que prevê seis dias de trabalho para um de descanso, é tema de intenso debate no país. Nos termos apresentados pelo dirigente, o pedido é por adaptações em setores com características próprias, e não por uma regra única para todas as atividades. O trecho reforça o caráter de pauta do setor produtivo, que busca flexibilidade em determinadas realidades de funcionamento.
Se as demandas apontam para os desafios que ficam do lado de fora da feira, as histórias dos estandes mostram o que o cooperativismo faz do lado de dentro. Regina Ramos, ceramista e cooperada da Cooperativa dos Trabalhadores de Arte do Estado de Goiás, a Artago, é uma das expositoras e resume o que o evento representa para quem trabalha com artesanato. “É uma vitrine para mostrarmos um pouquinho da diversidade e riqueza do artesanato do Estado de Goiás”, disse. A imagem da vitrine é precisa, porque se trata de um espaço feito para ser visto, comparado e, se tudo correr bem, adquirido.
Regina espera que o público aprecie e compre os produtos da cooperativa, uma expectativa legítima e direta, que lembra que a feira não é apenas espaço de celebração, mas também de comércio. Para quem vive do artesanato, cada peça vendida é fruto de trabalho manual, de domínio técnico e de uma tradição cultural que se renova. A ceramista também se mostrou animada com a diversidade dos visitantes, inclusive de outros países, o que sugere que o artesanato goiano pode alcançar públicos que talvez não chegassem a ele fora de um evento desse porte, ampliando horizontes para quem produz.
O artesanato tem ainda uma particularidade que o torna especialmente adequado ao modelo cooperativo. Trata-se de uma atividade em que, muitas vezes, os profissionais trabalham de forma individual, com recursos limitados para divulgação, logística e comercialização. Ao se reunirem em uma cooperativa, esses trabalhadores passam a contar com uma estrutura coletiva que facilita a presença em eventos, o contato com compradores e a construção de uma identidade comum. A participação da Artago na FICCA é um exemplo concreto de como essa estrutura pode se converter em oportunidade de visibilidade, reconhecimento e, esperam as cooperadas, em vendas.
“É uma vitrine para mostrarmos um pouquinho da diversidade e riqueza do artesanato do Estado de Goiás.”
Em outro ponto do pavilhão, a história é de outro ramo, mas o espírito é parecido. Arlete Dias, presidente da Cooperativa Agropecuária de Padre Bernardo, a COPPAB, também é expositora e disse que participar do evento é uma experiência gratificante. Ela destacou a oportunidade de expor produtos derivados do baru, fruto típico do Cerrado, bioma que ocupa grande parte do território goiano. Para a presidente, a feira abre espaço para um trabalho que nem sempre encontra vitrines, e ver esse trabalho reconhecido por visitantes de diferentes perfis faz parte do significado da participação.
Em sua fala, Arlete resumiu o valor do evento em duas frentes. A primeira é a troca de experiências, algo que, em um ambiente com tantos segmentos reunidos, tende a ser especialmente rica. A segunda é a chance de mostrar o trabalho de um grupo de mulheres produtoras do campo que, às vezes, não têm oportunidade de apresentar seus produtos. “Um lugar como esse é onde podemos divulgar nosso trabalho coletivo”, afirmou. A frase condensa o que o cooperativismo promete a quem o integra: transformar esforços individuais, muitas vezes invisíveis, em uma presença organizada e reconhecível pelo mercado e pela sociedade.
A fala da presidente da COPPAB toca em um ponto sensível do meio rural, que é o acesso ao mercado. Produzir bem é apenas parte do desafio. Chegar ao consumidor, conquistar clientes e agregar valor ao que sai da propriedade costuma exigir estrutura, contatos e escala que um produtor isolado raramente consegue construir. Quando mulheres do campo se organizam em cooperativa e levam seus derivados do baru a uma feira que reúne compradores, parceiros e visitantes de diferentes lugares, elas encurtam essa distância. Assim, o trabalho coletivo se converte em presença de mercado e em reconhecimento para quem vive da terra.
“Um lugar como esse é onde podemos divulgar nosso trabalho coletivo.”
Somadas, as falas das duas expositoras ajudam a medir o alcance possível da participação cooperativista na FICCA Goiás 2026. Não se trata de prever números de vendas ou de contratos, algo que a fonte não informa, mas de reconhecer os efeitos que uma feira desse tipo costuma produzir: visibilidade, contatos comerciais, troca de experiências e fortalecimento de marca. Para cooperativas de menor porte, esses ganhos podem ser decisivos, porque ampliam o reconhecimento de seus produtos e abrem portas para relações comerciais que dificilmente se constroem apenas à distância, sem o contato direto com quem compra e quem conhece o mercado.

Há ainda um efeito que não se mede em cifras. Ao reunir cooperativas de agricultura familiar, artesanato, habitação, saúde e crédito sob o mesmo teto, o Pavilhão do Cooperativismo apresenta ao visitante um retrato do modelo em ação. Quem passa por ali percebe que o cooperativismo não se limita a um tipo de atividade nem a um perfil de cooperado: ele cabe na oficina da ceramista, na propriedade rural, no atendimento em saúde e na concessão de crédito. Essa percepção, construída no contato direto, pode gerar mais proximidade e confiança do que qualquer material institucional, justamente por ser formada na conversa com quem faz.
O balanço da abertura, portanto, tem duas faces complementares. De um lado, a face institucional, que reafirma o cooperativismo como parte integrante do ecossistema econômico de Goiás e leva ao governo federal pedidos concretos sobre juros e escala de trabalho. De outro, a face humana, composta por cooperadas e cooperados que enxergam na feira uma chance de mostrar o que fazem e de ampliar seus mercados. Uma não existe sem a outra: as demandas fazem sentido porque há pessoas dependendo de um ambiente de negócios mais favorável, e a vitrine só tem valor porque há trabalho de qualidade para exibir.
“as demandas fazem sentido porque há pessoas dependendo de um ambiente de negócios mais favorável”
Para o leitor goiano, seja ele consumidor, empreendedor, produtor ou trabalhador, há um convite implícito nessa agenda: conhecer de perto o que as cooperativas fazem e considerar, nas próprias escolhas, os produtos e serviços que nascem do trabalho coletivo. Comprar uma peça de cerâmica feita por uma cooperada, experimentar derivados do baru produzidos por mulheres de Padre Bernardo ou conhecer os serviços e as opções de crédito oferecidos por cooperativas são formas simples de fazer a economia circular dentro do próprio estado, o que, em última instância, é o que o cooperativismo defende.
A FICCA Goiás 2026 é o espaço em que essa conversa acontece, com a proposta de reunir indústria, comércio, cooperativismo, empreendedorismo e agronegócio no mesmo lugar. Se a feira cumprirá o papel de gerar negócios e oportunidades, como se propõe, dependerá do que acontecer nos estandes, nas conversas e nas parcerias que saírem dali. O que já ficou claro na abertura é que o cooperativismo goiano chegou disposto a ouvir, vender, comprar e dialogar, e que pretende ser lembrado não só pela representação institucional, mas pelos negócios que consegue colocar em movimento em todo o estado.
🚀 CHEGA DE ADIAR: DESCUBRA QUAL IDENTIDADE ESTÁ PRENDENDO A SUA VIDA E OUÇA AGORA
Ouça as estratégias de alta performance no meu Podcast e acompanhe os vídeos exclusivos no YouTube.
What do you feel about this post?

Like

Love

Happy

Haha

Sad

Angry

Transformando vidas através da comunicação. Como mestre de cerimônias e cerimonialista, dedico-me a conduzir momentos memoráveis com excelência, utilizo a voz e a experiência em eventos para conectar pessoas e ideias. Atualmente, dedico-me à criação de conteúdo motivacional no YouTube e artigos voltados ao desenvolvimento pessoal e profissional.
